Cariri Eventos Revista Charm

A Cortina Dos Olhos Virgens

dbf22df4-08ff-4873-a50a-129aa9736f87

Camila Pitanga volta ao Cariri e faz de cidades do interior um chão de estrelas. Em Crato pela segunda vez, a atriz conta que acompanhou os processos artísticos dos Irmãos Aniceto e fez conexões afetivas com a ONG Beatos. Viajando pelo sertão, ela diz que a identidade regional é pedra rara

492dd776-2cd3-4572-9eb7-2081ada55c9a

Um sorriso que encanta. Camila Pitanga acenando.

Camila sorri a cada palavra apressada que salta da língua. Em uma breve coletiva de imprensa realizada na Secretaria de Cultura do Crato, durante o I Festival Internacional de Máscaras do Cariri, ao lado da diretora e atriz Georgette Fadel e da gestora cultural Dane de Jade, ela contou um pouco sobre os fluxos culturais que viveu com Cariri e a cidade de Crato. Não é a primeira vez que Camila Pitanga bota os pés na região e foi viajando o sertão nas últimas semanas fazendo o processo criado do espetáculo Duelo que a atriz fala que se transformou.

Arneiroz, Iracema e Lavras da Mangabeira foram as três cidades em que a Mundana Companhia (SP), na qual Pitanga fortalece o time, escolheu para estrear. O Duelo, inspirado em uma novela de Anton Tchekhóv, versa sobre o desconcerto ideológico entre o cenário divido da civilização e barbárie. O enredo, que no texto, acontece no calor considerado alucinógeno do litoral do Mar Negro não parece se distanciar das temperaturas do calor sertanejo.

“Para nós da Mundana, apresentar o espetáculo em várias regiões, em cidades em que muitos não conheciam o teatro, diante olhos virgens… Então sentimos a necessidade de criar uma comunicação direta e isso nos transformou”, explica Camila sobre a transformação na interpretação do espetáculo que tem cerca de 3 horas de duração e matiz de um texto russo. “A gente tem feito um diálogo com a região, com a cultura local, não é um espetáculo de cultura popular, mas queremos comunicar”, diz.

Sobre o título da peça, a atriz desabafa: “Uma vez a luz dos tempos que estamos vivendo, nesse contexto político, o próprio nome do espetáculo ser o Duelo permite que a gente pense nesse momento que estamos vivendo. Com isso pensamos em fazer um outro final, desvinculado do original, oferece agora, a partir do que tá acontecendo, não dá para voltar pro Sertão como se nada tivesse acontecido, o país mudou nos últimos  três anos”.

Camila acredita que os artistas locais têm um papel fundamental de fortalecimento da identidade da região e considera isso não é pouco. “Você fazer um rapaz, a menina de cinco seis anos se reconhecerem através da sua música, das suas festas, é você fortalecer a nossa raiz e isso é fundamental. Nas oficinas eu disse muito ‘olha vocês podem até rodar o mundo, mas não deixem a sua origem, a identidade de vocês, isso é pedra rara’ De quem nasce em qualquer lugar. Acho que fortalecer a identidade cultural é papel dos artistas locais e as comunidades precisam ver os artistas, esses resistentes e não é fácil, são poucas verbas é navegando contra maré. Precisamos estender um tapete vermelho para eles”, pontua a atriz.

Leia mais na próxima edição impressa da Revista Charm

Ribamar Junior | Revista Charm

Deixe um comentário

Powered by keepvid themefull earn money