Moda

A Pauta é Feminismo

Reuters PIC

Presente em vários desfiles da Paris Fashion Week, a luta social feminina voltou à tona nas coleções de inverno 2018.

Ombreiras, calças oversized e macacões foram só algumas das tendências presentes nas coleções de inverno da Paris Fashion Week. A mensagem através das roupas é praticamente única: feminismo.

A luta feminina por direitos iguais se faz presente na história da moda desde as primeiras concepções de vestuário que dessem o mínimo de conforto para as mulheres. Amelia Jenks Bloomer em 1851 criou um vestido aberto até os joelhos sobre calças estilo pantalona que prendiam no tornozelo. Diante do estilo vitoriano extravagante da época, era de se esperar que o modelo fosse rechaçado pelo público. A revolução no vestuário feminino só voltaria a aparecer de novo em 1920 com o modernismo de Coco Chanel.

Bloomerismo.

Bloomerismo

Então veio o controverso New Look de Christian Dior. Um retrocesso nas lutas femininas, a tendência trazia de volta a idealizada cintura de ampulheta, um tipo de resgate do espartilho. O modelo foi completamente criticado, no entanto, ainda conseguiu se destacar por conta do seu refinamento. A questão é, quase 70 anos depois, em 2016, a Dior meio que se redimiu ao nomear Maria Grazia Chiuri como diretora criativa da marca, ela também é a primeira mulher a assumir esse cargo.

Maria estreou na Paris Fashion Week mostrando um visual bem diferente para a marca, e com uma mensagem poderosa. Com camisetas escritas “nós todas devemos ser feministas”, sobre saias longas, transparentes e com desenhos de caráter místico, uma discreta referência à época de caça às bruxas. Ela conseguiu não só passar uma mensagem, mas também se afirmar num mundo que, apesar de ser majoritariamente voltado para o público feminino, ainda é feito em sua maioria por homens.

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Dior Primavera/Verão 2017

Agora, na coleção de inverno 2018, Maria continua firme em sua missão de mostrar o empoderamento feminimo e a revolução, com coturnos, jeans oversized, boínas e claras alusões ao vestuário a mulher usado na segunda guerra mundial. Outros desfiles chamaram atenção por seus visuais versáteis e confortáveis feitos para a mulher moderna e independente, como os da marca Sonia Rykiel e Chloé.

Foto: Francois Guillot / AFP

Dior Inverno 2018. Foto: Francois Guillot / AFP

Como as vestimentas também são reflexo da sociedade, não é novidade que os desfiles pautassem o feminismo. Agora é importante lembrar que a moda, assim como outros, é uma indústria, que precisa se reinventar e se adaptar ao meio para poder vender. E apesar de estar se mostrando apoiadora do movimento feminista, ainda existem muitas questões que precisam ser mudadas e repensadas nesse mundo, como a, ainda, grande falta de modelos plus size e negras nos desfiles e comerciais, coisa que parece estar mudando, a passos curtos.

 

Por: Gabriella Ramos

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