Beleza Cariri

Da janela da alma, a cortina

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Tirar e pôr, tirar e pôr, tirar e pôr. Esse é o trabalho inverso ao da técnica de micropigmentação quando o assunto são sobrancelhas, explica a paraense Ivanda Lima que há vinte anos atua no segmento oferecendo cursos e emancipando mulheres com a escola Magnifica

Texto Ribamar Junior

Em 1990, Ivanda Lima se formou como cabeleireira, trabalhava em salões e fazia sobrancelhas, ela já tinha esse encanto por essa região do rosto em percebe como essencial. “Precisamos captar a essência daquela pessoa para fazer aparecer, como uma melodia que você dá notas”, diz. Todo mundo gostava da sobrancelha dela, e por isso, não deixava ninguém mexer. Até que um dia tiraram de forma incorreta, deixando o que antes era ofício prazeroso em um trauma.

Nesse meio tempo, Ivanda viajou para São Paulo e quando foi pedir emprego nos salões de beleza, não estava tão atualizada quanto os outros profissionais. Então começou só a limpar sobrancelhas. De repente, ela se viu com uma cartela com mais de cem clientes, só que ganhava pouco. Na época o serviço custava em média cinco reais, e 50% era destinado ao caixa do local. Ivanda já fazia truques nas sobrancelhas das clientes com lápis e sombra.

Foi quando um dia, a atual micropigmentadora abriu uma revista que falava de maquiagem definitiva. “Achei aquilo que vai me levar para  resto da vida!”, exclamou. Hoje, ela não faz mais cabelo, e nem sente falta, acredita que consegue dar um quê na sobrancelha ao mais fabuloso do que o cabelo. “A minha arte está ali, sem interferência, quando o cliente se olha no espelho, ele sente recompensado e esse é o maior pagamento”.

Para ela, o que leva uma pessoa a buscar a profissão é a paixão por transformar alguém. Além da paixão, é uma profissão que traz retorno financeiro muito rápido. O trabalho não requer formação em estética ou beleza, qualquer pessoa pode começar a trabalhar com a micropigmentação através da formação especializada. A técnica chega a rejuvenescer alguém em até dez anos. “Há critérios para fazer uma sobrancelha e harmonizar um rosto, não é que seja um molde, eu não vou inventar uma sobrancelha para alguém, se não fica igual caricatura e nós somos únicos, eu não posso copiar detalhes de rostos e colocar em outra pessoa, tem que ser algo estudado”, explica.

No curso em que oferece, Ivanda abre a visão do aluno para o visagismo, para a concepção de que tudo é belo, só não há belezas exploradas pela arte. “A sobrancelha fala mais do que a boca, transmite as emoções que nós estamos sentindo”. A micropigmentação é uma profissão nova. O cliente que está acostumado a cobrir falhas com rena, lápis e sombra precisa ter paciência com o processo criativo que envolve a desvendar de uma sobrancelha. Parece com tatuagem, mas não é, a máquina usada na técnica é outra. “Há fatores orgânicos que interferem no resultado, há uma espera, uma reação para que o trabalho seja revelado daqui a um tempo. Muitas vezes não acontecem dessa forma, os cursos servem para ajudar e informar o futuro profissional para que ele tenha segurança de vender o seu trabalho e não algo com trabalhos imediatos”.

O grande boom se deu de 18 anos para cá. Pelas viagens na Europa, Ivanda constata de que nos períodos de 2008 a 2012, a técnica ainda não estava na febre em que está hoje. O retorno financeiro rápido que a profissão traz, assusta um pouco Ivanda. “Todo mundo queria aprender, desde que fosse para ganhar dinheiro. Por isso que os melhores profissionais têm histórias, mas quem se dedica é o que mais se destaca”, diz. Segundo ela, o crescimento desenfreado faz com que interesses pessoais se sobressaiam pela arte e façam aparecer os primeiros erros. O que é o maior medo para quem necessita fazer uma micropigmentação na sobrancelha.

“O profissional precisa ter maturidade. Se alguém lhe pede uma sobrancelha que não lhe cabe no rosto, ele deveria oferecer o seu trabalho da maneira correta. Quando ela vir através do visagismo que ela é única, ela esquece o modelo da bolsa. O profissional que se respeita não faz o que o cliente não pede”. Por ser um procedimento estético que está exposto, o erro pode acabar com a autoestima de alguém. Ivanda diz que o profissional não precisa ter medo de errar, é exata e simétrica, a prática requer técnicas e critérios. A base do sucesso é a responsabilidade e o conhecimento.

A micropigmentação também facilita a beleza dos homens. Os homens hoje não se envergonham mais de perguntar se pode ou não. Ivanda conta que uma das primeiras experiências com a estética masculina foi em 2006, quando um senhor de idade procurou ela para fazer uma sobrancelha. O homem era funcionário público e trabalhava de boné porque se sentia incomodado pela ausência das sobrancelhas. Também, Ivanda fala sobre o tratamento para rugas e linhas de expressão que é reduzida em até 90% e simulação de fios de pelos nascendo, na barba e nas falhas da cabeça.

Tudo isso Ivanda oferece aos seus alunos na escola Magnifica, em São Carlos na grande São Paulo. A missão do espaço é formar profissionais de estética capacitados e, principalmente, mostrar para mulheres que elas também podem conquistar seu espaço. “Existem muitas mulheres que não puderam ir para uma faculdade. Um milhão de mulheres que não tem dinheiro para fazer uma mircropigmentação. Então eu decidi que iria formar profissionais qualificados, porque é uma profissão que me fez tocar quase vinte anos de minha vida, eu fui independente eu me emancipei viajei, criei meus filhos e gostaria que todas as mulheres que não tivessem oportunidade, me encontrassem que um dia eu já fui como elas. É meu ponto de referência, que eu volto”, explica.

A novidade da micropigmentação atualmente é a área paramédica para a para reconstrução do complexo aureolo mamilar. Ivanda fala que essa parte é a mais encantadora, e chama as mulheres vencedoras do câncer de mama de vencedoras. “Colocamos um mamilo em 3D e adaptamos ao tom de pele da pessoa”, destaca a micropigmentadora.

“Fazemos até boca com brilho, batom com brilho dourado, já pensou a mulher acordar com sobrancelha, delineador e sombra? Ela acordar diva, por que tomou banho e já está pronta”, pontua sobre a micropigmentação ter se tornado o desejo de muitas mulheres. Micropigmentação não tem idade, as últimas clientes que atendeu na Europa, foram de idades entre 70 e 85 anos.

O que me impede Ivanda de voltar pra Juazeiro é a agenda. Ela viaja muito e tudo na sua vida é muito organizado. Nos próximos meses, irá viajar e só voltará para o Brasil em outubro. “Eu sonho um dia que Juazeiro me chame para expandir o mundo da micropigmentação”. Quando retornar, promete oferecer cursos de especialização. Ivanda pede desculpa por falar muito, bebe um gole de café e em seguida desabafa: “Eu estou olhando para você e fazendo a sua sobrancelha mentalmente”, brinca.

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