Agricultura Cariri

Do engenho, uma vida

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Quarenta anos não são quatro dias. O que começou como curiosidade para o agricultor Paulo Calixto, agora movimenta economia e turismo na região do Cariri

Texto e foto Ribamar Junior 

Paulo Calixto tinha dezesseis anos quando conseguiu pela primeira vez dar o ponto certo do tempero na rapadura. Ele andava nos engenhos como quem não quer nada, atento a todo trabalho feito, hoje aos 62, se considera um profissional do Engenho Cratinho de Açúcar. Quarenta anos não são quatro dias. “Caldo de cana, mel, rapadura, alfenim e tudo isso eu sei fazer”, conta Calixto dizendo que algumas coisas ninguém ensina, se aprende.

Entre o barulho das máquinas e o cheiro doce, Paulo conta que todo trabalho desenvolvido nos oito dias da Expocrato é feito por aproximadamente vinte pessoas da Associação do Sítio Coité de Barbalha.“Funciona em conjunto, fabricamos bolo, sequilho, peta. Aí a gente faz e sai vendendo, e todo lucro é para reformar a associação, não temos lucro pessoal”, conta. A época do ano em que mais saem produtos é o julho, por conta da festa, mas durante todo ano a equipe de agricultura familiar funciona normalmente em Arajara.

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São oito dias que valem pelo ano inteiro. A cana é plantada no ano anterior e colhida para o serviço. Segundo Paulo, a produção de cana-de-açúcar esse ano está boa e as vendas elevadas. Em média são produzidas de 500 a 600 rapaduras por dia, e incontáveis copos de caldo de cana. “O caldo é de primeira, deixa a saúde forte arretada!”, brinca.

O processo, para ele já comum, é um só. A cana é moída, desce na tubulação, vai para o depósito, é mexida com os tachos, a garapa desce, começa a ferver, o grude é tirado, o caldo vai engrossando, o último tacho dá o ponto e a rapadura ainda mole é colocada na gamela para endurecer. “É preciso experiência para saber o ponto certo, não é só fazer por fazer”, destaca ele apontando para a fumaça do engenho e para as gamelas de madeira. Tem que ser de madeira para esfriar.

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“Tinham muitos engenhos nos pés de serra de Barbalha, mas acabou tudo devido os problemas do governo, que não oferece ajuda a ninguém, tiraram foi as águas que a gente aguava a cana”, lamenta Paulo ao mesmo tempo que não esmorece, não deixa o tacho cair na fervura.

 

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