Cultura

Gaveta Amorosa e os caminhos da nova geração do cordel

Foto: Paulo Rossi

Recém lançado em Crato, o cordel Gaveta Amorosa fala da necessidade de documentar sentimentos e abre caminhos para a nova geração do cordel na região do Cariri

Texto Ribamar Junior Fotos Paulo Rossi e Havi Garcia

Vitória Régia sai do colégio tarde e avisa que responderá as perguntas após o almoço.  Aos 16 anos, a estudante do primeiro ano do ensino médio já diz sem pestanejar, que quer cursar Jornalismo ou História. Mas Vitória antes de uma futura acadêmica, já é poetisa. No dia 20 de maio, ela lançou na cafeteria Casa do Becco, em Crato, o que ela chama de “primeiro rebento poético”, o seu primeiro cordel “Gaveta Amorosa” em parceria com a amiga  Júlia Almeida. O evento ainda reuniu a o cantor Dudé Casado, a Banda Ohana, a dupla Carla Ribeiro e Antônio Neto e o grupo Três Vozes Em um Nó.

“Tendo em vista a clarividência da poesia, falo sobre a contemporaneidade do amor jovem e suas inseguranças que nos cercam. O cordel surgiu com a necessidade de escrever tudo que eu sentia em uma determinada época. Me vi na indigência de não me prender no meu eu e tentar passar tudo pro papel”, diz ela. Sem medo, Vitória fala que há quinze anos se apaixona todos os dias pela poesia.

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O título do folheto é inspirado em uma gaveta onde guarda suas poesias e composições musicais. Para ela, escrever foi o de menos, fugiu um pouco do que se tinha como cânone literário da obra de cordel. A quadra, que iniciou o cordel, aos poucos deixou de ser utilizada pelos cordelistas, mas ainda as estrofes de quatro versos guiam o estilo da poesia dos versos. Vitória foge da norma e deixa o amor que acabou de sair do ninho, escorrer em estrofes soltas.

De alguma forma, a poetisa quer com o projeto valorizar a cultura popular a chamar atenção para que as pessoas passem a perceber a importância das artes locais. “Fazer com que as pessoas se desliguem um pouco das tecnologias e passem a valorizar mais uma cultura que muitas vezes é esquecida”. Quando perguntada sobre inspirações, ela fala que costuma se inspirar em si, nos seus sentimentos ou em pessoas próximas como amigos, amores e familiares

Ultimamente Vitória está escrevendo e se inspirando nos textos de Gonçalves Dias. Depois da Gaveta Amorosa, ela não quer mais parar de escrever. “Pretendo escrever mais daqui pra frente. Ainda não tenho nada previsto para os próximos meses, mas estamos trabalhando em algo como o lançamento do cordel”, diz.

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