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“Lua, tá na hora de te conhecerem como rapper”

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Rapper cratense, Luana Laís lança som de “Não me Nego” e discute sobre o espaço das mulheres que cantam rap e da cultura urbana na região do Cariri

Ela gostava de grafitti, conheceu o pixo e depois o rap. Mas só começou a moldar o discurso rítmico com rimas e poesias quando saiu de Campos Sales e chegou no Cariri. Luana Laís teve seu primeiro contato com o som da cultura hip hop há cincos, quando ingressou no Coletivo Camaradas e foi assistir uma das primeiras edições da Batalha da Estação no Crato.

Após já estar presente na articulação do Hip Hop é coisa séria, Laís, mais conhecida como Lua, conheceu o Irmandade Rap. “Foi a minha porta de entrada pra cena, no início eu segurava alguns refrãos, em alguns sons, depois comecei a interpretar a música força feminina também do grupo. Nesse momento percebi que eu podia muito mais que segurar refrão, fui conquistando mais espaço e fui evoluindo e escrevendo minhas primeiras rimas”, diz.

Recentemente, Lua lançou o som “Não me Nego”. Autoral, ela explica que esse rap fala muito sobre o que passou desde quando entrou no ramo, sendo até um pouco pessoal, mas que ao mesmo tempo abrange problemas típicos das mulheres que cantam rap, como desmerecimento e preconceito. “Afinal o movimento em si ainda é muito machista”, desabafa.

Até que um dia ela parou e disse para si mesma: “Lua, tá na hora de te conhecerem como rapper”. Começou a escrever e teve a curiosidade de saber qual seria a opinião da galera. Lua postou um vídeo na internet de como seria o rap e o resultado foi positivo. “Teve uma grande aceitação, muita gente gostou, teve gente que compartilhou e isso pra mim é muito bom, me encoraja. Não me nego à vontade de voar”.

Para ela, ainda não existe inserção de mulheres no movimento de hip hop. “A gente luta todo dia só pra estar. Não foi dado espaço pra gente, se queremos espaço a gente que vai cavar, na verdade não foi dado espaço pra o hip hoP isso a gente conquista todo dia. Não é vitimismo ou mimimi, porque o rap é luta, é batalha e eu faço porque gosto se não eu num tava nem aqui”, fala sobre o quanto é preciso expor e falar sobre machismo e a violência contra a mulher.

“Todas tem um talento e potencial enorme, é preciso haver uma visibilidade maior desses talentos, uma maior valorização da nossa voz dentro do rap e isso não tem que partir só de nós mulheres, os caras também tem que perceber isso”, explica Lua. No Cariri já se tem várias “minas” que começaram no rap e outras que já estão há algum tempo no “corre A cena do hip hop no Cariri cada dia vem se tornando mais forte, segundo a rapper, muitos projetos e lançamentos estão vindo aí, “A galera tá foda, só progresso”, termina.

Ribamar Junior

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