Cariri Cultura

Organon é um pedaço de nós

WhatsApp Image 2017-06-13 at 19.15.51

O resultado de uma disciplina de estágio do curso de Artes Visuais da Universidade Regional do Cariri (URCA), se transformou em um encontro de 30 olhares diferentes de estudantes entre o corpo e o possível

Texto Ribamar Junior

“Toda arte necessita de seus próprios instrumentos”. Em Aristóteles, o termo Organon significa instrumento, e o corpo, na exposição Organon: Renegociações estratégicas de identidade realizada na Universidade Regional do Cariri pelos estudantes do curso de licenciatura de Artes Visuais, adquire o mesmo sentido. Para Anália Lobo, artista e estudante, a exposição apresentada no período 12 de maio a 7 de junho traz um corpo que fala, discute e representa.

Após leituras, pesquisas e ensaios, tudo começou como em um estalo. A ideia de unir 30 olhares diferentes de estudantes se deu através do cumprimento da disciplina de Estágio II da professora Sara Ninaem que os próprios estudantes criaram e mediaram o trabalho. A experiência para Anália está em pôr em prática o conheciemento adquirido na sala de aula. “O que vemos em sala está embricado em nossa vida. Como artista e pesquisador, às vezes a gente se confunde e fica pensando, se é a arte que representa a vida, ou a vida que representa a arte. Respiramos tanto arte que o aprendizado foi muito rico. Participamos do projeto de escrita, curadoria, montagem, desmontagem, mediação e coordenação, então foi um misto trabalhar com tudo isso”, fala ela.

WhatsApp Image 2017-06-13 at 19.16.04

O corpo da exposição é social, funcional e cultural. Um choque de linguagens e poéticas. Pintura, escultura, fotografia e diversas outros suportes de representação artísticas se unem para discutir as possibilidades do corpo, Organon, pedaço de nós, de tudo e de equilíbrio através da contaminação de laços. Uma instalação contaminada a outra do campus Pimenta da URCA. Uma meta do trabalho também era destacar a acessibilidade, criar um fazer artístico abrangente, possível para todo mundo. A curadoria foi feita por Anália Lobo, Rafael Vilarouca e Wanderallysson Landim.

Anália enfatiza que aos poucos o trabalho das artes visuais vão ganhando destaque, apesar da falta de investimentos municipais e estaduais. A artista destaca a importância de perceber a cultura na região do Cariri de forma mais ampla, dissociada também da imagem do Padre Cícero ou das romarias. “Não temos só isso, reconheço a importância, mas também precisamos olhar ao redor, para uma diversidade cultural rica”,  diz.

WhatsApp Image 2017-06-13 at 19.16.25

“A principal renegociação da exposição é visibilidade aos artistas que estão expondo e as identidades expostas, não é só visibilidade,  é reconhecimento, nós vemos essas identidades e esses artistas, mas não reconhecemos. Reconhecimento desse Cariri diverso e multicultural, é deixar que viva”, finaliza Anália.

Deixe um comentário

Powered by keepvid themefull earn money