Música

Phill Veras por trás das lentes

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Pela primeira vez no Crato, o cantor maranhense confessa que não esperava lotação no seu show. Atualmente, Phill está pré-produzindo o seu próximo disco em casa e conta que será algo cru, sem mãos dos outros

Texto Ribamar Junior Foto Giovanna Duarte 

Phill Veras nos últimos dias tem escutado muito Tame Impala. De longe, parece concentrado carregando seu violão nas costas, vestido em uma camisa verde musgo, bermuda jeans e sapato preto, mas de perto é possível perceber que ele tem um olhar desatento que tece uma tez serena, de quem dói o coração, mas consegue dizer não. Pela primeira vez no Sesc Crato, através do Sesc Sonoridades, o cantor fala que tocar no Nordeste sempre é caloroso, mas não esperava lotação no Cariri.

“Sempre que faço show no Nordeste é caloroso, seja no Recife ou no São Luiz, e ontem foi uma repetição de tudo isso. Eu não esperava que fosse lotar, os ingressos fossem esgotar e muita gente não conseguir entrar”, diz. Apesar de ser maranhense, ele explica que prefere carregar bandeira da sua música pelo Brasil do que apenas do seu Estado. Do Valsa e Vapor (2012) até o Carpete (2014), Phill percebe uma maduração do seu trabalho através do acompanhamento da produção dos discos e com um tempo tem se aprofundado mais na ciência da gravação.

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Veras tem uma forma de compor abstrata e pelos versos que parecem caber em gavetas e taquicardias de um coração que já vai tarde. “Me inspiro muito na minha vida, nos meus relacionamentos e sons de amigos e bandas”, para ele não há influências de pessoas específicas na sua produção e sim de vivências dele. Atualmente, o cantor está pré-produzindo o seu próximo trabalho e passa por uma fase de gravar e estudar em casa, por isso acredita que vai fazer “uma coisa mais crua, que não vai ter muito das mãos dos outros”. Ele que sempre gravou com amigos, agora aposta em uma obra particular.

Phill Veras cai nos braços da plateia. O show foi uma mistura de todas as canções que já lançou, mas foi impossível não perceber o coro ansioso esperando com o sorriso no rosto e um coração machucado, a canção Sorriso ao Sono. Phill canta canções sobre os nós da vida, de quem acabou de despertar, e mesmo sem querer ou motivo, tem mesmo um quê melancólico dos dias, que nas palavras do velho John, termina que a vida é um cabaré.

 

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