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Pilates e Estabilização Vertebral para começar e recomeçar

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Distantes de serem monótonos, o Pilates e a Estabilização Segmentar são feitos de concentração e rendimento. O fisioterapeuta Diogo come das maçãs verdes de Joseph Pilates e fala um pouco sobre as formações internacionais, o cenário teórico e prático, além da afetividade da prática

Texto e Foto Ribamar Junior

Quando Diogo começou a estudar Fisioterapia pela Estácio de Sá no Rio de Janeiro, teve forte influência do esporte, principalmente, do futebol. Era o auge do Ronaldinho, e Diogo ainda no primeiro período, acompanhou o tratamento das lesões que o jogador teve na época na clínica escola que faz extensão com o curso na faculdade. Mas não era com isso que o futuro profissional gostaria de trabalhar.

“Eu gostava de ter a reabilitação da pessoa em virtude do meu trabalho, não simplesmente treinar alguém que já era condicionado. A meta era reestruturar essa pessoa para que ela pudesse voltar a atingir o padrão funcional dela, sem que ela fosse um atleta”, conta Diogo após me pedir para tirar os sapatos antes de pisar no tatame do estúdio profissional de Pilates que coordena. Entre as memórias, ali sentado de pernas cruzadas, o fisioterapeuta explica que foi no primeiro dia de aula que a paixão pela área aconteceu.

Na frente do elevador da faculdade havia uma grande janela de vidro que dava acesso à piscina da clínica escola em que Ronaldinho se tratou. Dali, ele enxergou distraidamente uma criança com Síndrome de Down em cima de uma prancheta com uma fisioterapeuta fazendo o atendimento. No mesmo instante em que o elevador abriu as portas, a criança que estava em tratamento, abriu os abraços como se fosse lhe abraçar. “Eu me derreti totalmente”, lembra e sorri.

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Com o lema de que quem faz a faculdade é o aluno, Diogo fala da importância de já ter tido contato com estágios desde os primeiros períodos do curso, por mais que tivessem sido observacionais, para ganhar experiência e vivência. E ele fez isso, desde o final do primeiro período, estava em estágio observacional e assim que pôde botar a mão na massa, não parou mais. Começou com o projeto Idoso de extensão e ainda hoje colhe os frutos de um aprendizado. Diogo conta que recentemente, quando havia voltado para tirar uns dias no Rio, estava no fila do Rei do Mate, e um senhor virou e disse: “Diogo?”, ele retrucou: “do projeto Idoso?”. Era seu Manuel se lembrando do rosto de um estagiário.

No segundo ano da faculdade, ele começou a trabalhar a parte de Hidroterapia. “Eu passava 80% do dia na água, eu já estava criando escamas!”, brinca. Depois de pesquisas, ele fala que ainda em Juazeiro do Norte é difícil encontrar o serviço, que por vezes, acaba confundido com aulões e hidroginástica. “Eu sempre gostei da parte corporal e ao mesmo tempo nunca quis voltar para uma parte só, mas eu via a necessidade de favorecer também outros públicos”.

A história de Diogo se cruza com o Pilates pela primeira vez em 2005, em um workshop na faculdade. “Eu não conseguia nem ficar numa postura”. Hoje, para ele, o Pilates é maior do que a prática de alongamento. No estúdio que coordena, em que divide seus dias com a companheira Resfa Feitosa, tem uma demanda de público diversificada, que vai de idoso, criança, e até atleta de alto rendimento. O Spalte Pilates é localizada no bairro Lagoa Seca em Juazeiro. “Alguns homens saem daqui sem conseguir fazer musculação, devido ao estímulo que lhes é dado”, fala sobre como o Método pode transformar vidas,

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Após a formação básica em Pilates, Diogo demonstrou sede de conhecimento e correu o mundo querendo saber mais. Um dos conceitos em que aprendeu nas formações internacionais foi o de Halliwick na Inglaterra. Lá fora, você não precisa ser fisioterapeuta para fazer, o conceito é passado para pais e cuidadores que querem ensinar aos filhos deficientes o nado adaptado. A meta é possibilitar o nado para todo o mundo. “Muita gente acha que é só colocar o paciente na água e ficar para lá e para cá. É trabalhado um estímulo mais forte, para que o indivíduo tenha uma vivência fora da água”, diz.

Para Diogo, a fisioterapia é um mundo que se abre, “desde ensinar um paciente acamado a rolar, até mesmo pegar um atleta de alto desempenho e exigir o máximo dele”. Ainda no Rio, ele teve o prazer de participar de alguns atendimentos do cantor Herbert Viana, após o acidente que o deixou paraplégico, e também do lutador de MMA Vitor Belfort, quando o lutador teve uma lesão no tríceps, após dar um contra soco na academia e quebrar uma janela de vidro que estava atrás. Tivemos que realizar um trabalho de reestruturação e voltar para o lado funcional deles. Rotinas diferentes exigem padrões diferentes.

O papel do fisioterapeuta, para ele, é trabalhar o padrão funcional em um ambiente controlado, para que a pessoa consiga ter uma qualidade de vida melhor, em seu cotidiano. Em Queensland, na Austrália local conhecido como “berço das pesquisas em estabilização vertebral”, Diogo aprendeu nas suas formações de Estabilização Segmentar que utiliza na reabilitação de seus pacientes que “independente de sexo ou idade, a ideia é mostrar que em um padrão de movimento funcional, não é o fisioterapeuta que faz a força principal, mas sim, o indivíduo, e com isso o objetivo é usar a Biomecânica à favor dele, contando com padrões de estabilização. O papel do fisioterapeuta é viabilizar isso, de uma forma responsável e embasada.”

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A técnica é muito procurada por pacientes que possuem dores na coluna, principalmente na cervical e lombar, além das articulações do joelho e ombros. O fisioterapeuta diz que, mesmo estando a pouco tempo na região, a confiança dos médicos é gratificante, explica: “Tento fazer um trabalho diferenciado, tentando minimizar as chances de cirurgia, e a confiança de médicos neurologistas e ortopedistas pelo cuidado que presto aos pacientes, é motivador.”

Diogo é pontual: o esquema é englobar as técnicas para favorecer o crescimento motor do indivíduo, seja nas aulas de Pilates (respeitando a metodologia clássica), ou nos atendimentos de Fisioterapia. “Você vai com a massa e o cara já vem o pão, paciente não é leigo. Pensar o contrário disso, é uma ilusão.” Ele conta que os fisioterapeutas brasileiros não sabem o quanto são bons, e lá fora as coisas são muito robóticas, o calor do brasileiro faz com que a Fisioterapia se torne mais humana. Além de professor de Pilates, Diogo é também professor em Pós-Graduações. A parte docente, ele considera mais como um aprendizado, do que com uma simples transmissão de experiências. Percebe que ali tem contato com mais pessoas apaixonadas pela profissão, e pode mostrar o que aprendeu, sem guardar informações.

Citando o criador do método, Joseph Pilates, Diogo fala que a Contrologia está presente em todos os locais, e parte do princípio de ser a perfeita integração entre corpo, mente e espírito. “Ou seja, não tem nada que você consiga fazer bem sem se concentrar, e sendo o primeiro princípio do Método, tudo surge daí, até a melhor execução possível de um movimento. Você precisa estar focado naquele momento especifico, até mesmo para respirar bem, e isso faz a diferença em nossas vidas, em um processo de reabilitação.”

Diogo conta que na época em que Joseph era vivo, o criador tinha uma sala de convivência ao lado do estúdio com maçãs verdes, ele adorava a fruta e, ao observar seus alunos na sala, fazia questão de saber qual o resultado do seu Método em suas vidas. E apesar de não ter maçã no Spalte Pilates, há organização e harmonia entre os praticantes. No espelho, nomes rabiscados dos exercícios e muitas trocas de energia.

Para o ano que vem, Diogo quer fazer mais uma formação em Seattle, Estados Unidos. “Mas é algo mais forte mesmo, e eu tenho que ter isso, a ideia é ir e ficar dois meses direto, retornar e voltar para ficar mais um período”, fala. Diogo é de pé descalço no chão, mas mira grandes ideias, e acredita que elas precisam vale à pena. Com concentração e foco, é possível. “Não há nada na vida que não se resolva com champanhe ou Pilates”, termina ele citando uma renomada instrutora, chamada Romana.

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