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Quanto vale 1,99?

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Se destacando no cenário regional, banda Nuverse lança videoclipe e questiona o valor da mulher, política e trabalho na sociedade

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O mercado do Pirajá em Juazeiro do Norte se tornou palco da Nuverse. Nascida em setembro de 2012, a banda que teve sua estreia no Armazém do Som do SESC Juazeiro, lançou o videoclipe da música “1,99”. O som é composto pelos integrantes Jean Paulino, Pedro Victor, Leeyure Silva, Hugo Alexandre e Jéssica Xavier e faz música autoral na região do Cariri indo do rock ao jazz.

WhatsApp_Image_2017-01-10_at_17.35.47Jéssica, vocalista e co-fundadora, explica que é preciso qualidade para se manter um lugar ao sol em meio ao tanto talento da região. O videoclipe que tem direção de Jean Paulino, para a cantora representa um quê ao misturar a pesquisa visual com a poética da letra. O clipe é apenas o primeiro dos seis que virão durante o ano de 2017. A música “1,99” é a mais popular do grupo e por isso foi trabalhada com sensibilidade e vivências do espaço gravado.

“Eu cresci por aqui, fazendo compras no mercado e não há espaço melhor para representar o comércio fervente e a relação popular de valia entre a sociedade”, diz a vocalista. O roteiro foi traçado em parceira dela e de Jean, também co-fundador, pianista e guitarrista e durante as gravações houve uma relação com as cores e temperaturas que Jéssica já vinha desenvolvendo com a experiência do curso de Teatro na Universidade Regional do Cariri (URCA).

Uma das ideias articuladas em conjunto bebe do trabalho do artista visual Wanderson Petrova, recentemente convidado pela Madonna para viajar à Africa e pintar muros de um hospital em Malawi. A composição da música é de Jéssica e propõe uma reflexão sobre o valor da mulher. “Como a mulher é colocada à venda todos os dias, e de como isso está tão enraizados nas notícias do cotidiano e na prática política”, destaca Jéssica.

O que chama atenção além das cores, produção e aspecto cinematográfico do clipe da Nuverse é que no lado esquerdo inferior do vídeo há a tradução da música em Libras. Para a cantora esse foi a maior provocação. “Traduzir uma metáfora da música para a língua de sinais foi um dos maiores desafios”, diz após realizar pesquisas com pessoas da área da Acessibilidade e deficientes auditivos.

A repercussão do vídeo está sendo positiva. Jéssica acredita no potencial musical da região, mas espera que o público valorize mais o cenário como consumidores. “Não é todo mundo que tira 10 reais da carteira para assistir um show de uma banda autoral”, desabafa. Para ela, é algo que vem crescendo, os incentivos culturais e palcos para tocar. “Não temos empresários ou produtores. As bandas da região atuam de forma independente. É nós por nós”, finaliza.

 

 

Ribamar Junior

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